terça-feira, 4 de outubro de 2016

Constelação escurecida

Vejo-te e revejo-te no passado, no presente que me condena
No futuro que me assombra
És o exemplo de uma vida contida, de uma paixão enlouquecida, de um beijo fugaz de vida
Trazes como o vento que passa docemente, memórias amargas de escolhas inconsequentes, mares calmos de tempestades dormentes, de lutas egoístas e cegas!
Escrava dos escravos do mundo. 
Dos que escolheram a prisão à liberdade.
Dos que não sobreviveram.

Escrava do bater dentro da alma.
Alma perdida na razão inexistente
Percorres caminhos conscientes e controversos
Sonhos construídos em pontos que se unem como estrelas.

Constelação escurecida.

Olho-te.
A tua cara escrava e amarelecida
Os teus olhos escurecidos e impávidos
A tua voz que endurece como se de uma armadura se tratasse
Mãos doridas de tanto se apertarem em rezas vãs e empobrecidas.
Rezas outrora ouvidas e interiormente esquecidas.
Esquecimento sentido do que agora é pensado.
Julgado e condenado.

Escrava dos seus próprios enganos
Tirana dos que faz sentir
Dos que ainda estremecem de cada estrela que cai.

Derrota vencida
Tragos sôfregos e inconsequentes.

Apenas estrelas.
Ditas próximas mas distantes.
A nossa é escurecida.
Feliz criação humana.




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